quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PRÉ- CONGRESSO ( Parte II )


O tema “Como ler textos escritos em sinais” foi abordado por Mariane Stumpf, da Universidade Federal de Santa Catarina, por meio de uma reflexão sobre a apropriação da língua de sinais. A palestrante contou sua experiência na Alfabetização em Sign Writing, adaptado a língua de sinais francesas, em Paris, com crianças de 4 e 5 anos. Esse sistema é para o surdo visualmente fonético, permite operações metalinguísticas em relação a libras, é limitado apenas pela sofisticação do usuário, tem na ferramenta computador um aliado muito compatível, sua introdução na escola de surdos é um grande desafio, os alunos prestam muita atenção aos sinais quando precisam escrever, a ELS permite a transmissão direta do pensamento para a escrita, a escrita do surdo em Sign Writing é mais espontânea e coerente, fortalece a autoestima e ajuda a construir a identidade surda.

Para discutir a “Interpretação de Língua de Sinais no mundo”, o congresso contou com a presença de Robert Lee, da University of Central Lancashire (Inglaterra), e Michelle Stark, Intérprete de Língua de Sinais da Austrália. Robert Lee explicou que nos EUA, a legalização da profissão de intérprete começou na década de 1970, quando houve um impulso para a inclusão do surdo em diversos âmbitos. As universidades receberam apoio e, com a entrada dos surdos, a formação de intérpretes aumentou. Hoje existem cursos de graduação e pós-graduação, para a certificação do intérprete. No Reino Unido, a história da interpretação é diferente. A interpretação de sinais foi avaliada desde 1928, quando pessoas já faziam trabalhos sociais com surdos. Porém, a formalização do trabalho de intérprete no Reino Unido ocorreu de forma mais tardia que nos Estados Unidos.
Michelle Stark, que trabalha com língua de sinais há 20 anos, como professora qualificada, contou a sua experiência na Austrália, realizando treinamento de intérpretes. A palestrante fez uma comparação entre o Brasil e a Austrália: o Brasil tem mais intérpretes do que a Austrália, onde a comunidade de surdos é muito pequena.
Karin Hoyer, da The Finnish Association of the Deaf (Finlândia), abordou o tema “Planejamento de Linguagens na Educação do Surdo – Compreendendo línguas de sinais como línguas naturais”. Para ela, planejamento de linguagens são arranjos deliberados feitos para estabelecer a relação entre uma língua ou línguas e a sociedade, na qual, elas são usadas, e refere-se ao status da língua dentro das leis. A língua de sinais e o planejamento de linguagem são centrais na educação dos surdos, na Finlândia.
Na Finlândia, há três escolas estaduais e 13 escolas municipais para surdos, mas há, também, alunos em escolas para os ouvintes, apoiados por intérpretes, e não existem escolas particulares para surdos. Segundo Karin Hoyer, a educação bilíngue ainda se depara com muitos desafios na sala de aula, na Finlândia, e a língua de sinais não é vista como uma língua verdadeira e isso é violação dos direitos humanos linguísticos.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

PRÉ- CONGRESSO ( Parte I )


Pré-Congresso reuniu especialistas e fomentou 

discussões entre os participantes


O II Congresso Internacional de Educação para Surdos – Bilinguismo: Práticas e Perspectivas contou com dois dias de pré-congresso, com a participação de educadores de diversas partes do Brasil e do mundo.
Benjamin Bahan, da Gallaudet University (EUA), abordou o tema “Orientação sensorial e a cultura surda”, discutindo os diversos sentidos e como estes podem ser explorados pelas pessoas, em especial as pessoas surdas. Para ele, os sentidos são valorizados de formas diferentes em cada cultura, ou seja, são diferentes mundos sensoriais, não apenas diferentes línguas. Valores culturais e individuais fazem com que exista uma diferença no estímulo de cada sentido.



Ressaltando a importância dos gestos na comunicação, Benjamin Bahan explicou que existe a modalidade de comunicação baseada na visão e no tato e a modalidade baseada na audição e na voz. Pessoas surdas se comunicam por meio da primeira modalidade e a língua de sinais se insere nesse contexto, pois precisa ser olhada. As pessoas aprendem a ler o mundo e a ler o som, assim como os surdos aprendem a ler visualmente o som.



“Português para surdos como segunda língua: um processo em construção” foi o tema da palestra de Mara Lúcia Massutti, do Instituto Federal de Santa Catarina, que abordou importantes questões do decreto 5.626/2005, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Para a palestrante, o decreto foi capaz de trazer uma diferença substancial para o surdo, reforçando a questão da identidade linguística.
Por meio de uma dinâmica com os congressistas, Mara Lúcia Massutti levantou diversas questões e dúvidas e propôs uma grande discussão sobre o universo da educação para surdos, e sobre a identidade surda.
Cameron Miller, da Escola Estadual de Toowong (Austrália), falou sobre “Linguagem como base para o letramento de crianças surdas”, contando como atua com os alunos surdos em sua escola, por meio de vídeos, em que as crianças contavam que estudam numa escola em que as pessoas falam diferentes idiomas. Para as atividades, é preciso ter em mente a idade, a meta, a definição da língua - inglês ou língua de sinais, a soletragem, o visual, se é uma atividade de cortar e colar ou em Power Point, para que os alunos possam se envolver e descobrir o significado das palavras.
Durante o processo, segundo o palestrante, as crianças dialogam e o professor sempre tenta extrair o significado das palavras, para que, juntos, cheguem nas perguntas e nas respostas certas. O objetivo é desenvolver a linguagem de sinais e o inglês pode ser a segunda língua.
Os congressistas tiveram a oportunidade de participar do mini-curso “Fundamentos da Interpretação de Língua de Sinais”, ministrado por Ronice Quadros, da Universidade Federal de Santa Catarina. O curso teve o objetivo de possibilitar a visualização e a compreensão dos fatores discursivos e cognitivos envolvidos na interpretação, o desenvolvimento da auto avaliação e do auto desenvolvimento na atividade de interpretação de língua de sinais, e o exercício dos fatores envolvidos na interpretação do Português para a Libras.
Por meio de diversas dinâmicas, a palestrante abordou as habilidades essenciais dos intérpretes, como a importância de saber apreender os pontos principais, as unidades discursivas, para fazer uma versão em português apropriada, escolhendo as melhores palavras e formas.

(Matéria da Internet)